A Série B perdoa quem tropeça. O que ela não perdoa é quem demora a reagir. O Goiás chegou à 26ª rodada com 36 pontos, na 12ª colocação, e viu o Fortaleza deixar a Serrinha com três pontos que podem custar caro quando dezembro chegar e a conta for feita.
É verdade que a expulsão de Luiz Felipe aos 13 minutos explica o resultado daquela tarde. Mas não explica a campanha. Há meses o Verdão alterna atuações convincentes com apagões inexplicáveis, e a tabela — que é o mais honesto dos juízes — cobra exatamente aquilo que faltou: regularidade.
O discurso do técnico Mozart, de que "temos 36 pontos para disputar", é correto e necessário. Um treinador não pode enterrar a temporada em setembro. Mas discurso tem prazo de validade curto quando não vem acompanhado de vitória, e o próximo tropeço em casa vai transformar confiança em desconfiança num piscar de olhos.
O que o time precisa não é de uma revolução tática. É de decisão. Faltam gols de quem foi contratado para fazer gols, falta segurança de quem foi contratado para não sofrer, e falta um meio-campo que dite ritmo em vez de correr atrás dele. Nada disso se resolve com mudança de esquema; resolve-se com escolhas mais duras na escalação.
Há também um fator que o Goiás não pode desperdiçar: a torcida. Mesmo com o time fora do G-6, a Serrinha continua recebendo bom público. Poucos clubes na Série B têm esse ativo. Devolver isso em forma de entrega é o mínimo que se espera de um elenco que carrega o peso de uma camisa acostumada a subir.
Ainda dá tempo. Doze rodadas são um campeonato inteiro em miniatura, e a distância para o pelotão da frente não é intransponível. Mas a arrancada precisa começar na próxima rodada, não na próxima virada de mês. Porque na Série B, esperar é o mesmo que desistir devagar.


